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Recebemos uma carta muito especial que gostaríamos de partilhar contigo:

Todos os dias acordo e penso que vou voltar a conseguir escrever sobre moda.

Mas, na verdade, dia após dia, parece-me cada vez mais difícil e talvez menos relevante fazê-lo. Acabo sempre por mudar de tema. E fujo do lugar que me trouxe até aqui. Hoje não quero mais fugir e quero mergulhar novamente neste mundo onde até há bem pouco tempo trabalhava e era feliz. Um mundo que neste momento me parece ter sido, subitamente, cancelado.

Sei que há algumas pessoas que ainda conseguem continuar a trabalhar em moda, mesmo em quarentena. Outras que continuam a fazer compras online .Há ainda aqueles que continuam a sair de casa e que fazem escolhas todos os dias. Usamos a roupa como uma segunda pele que nos protege, mas também comunicamos através do que vestimos. Podemos não ter essa consciência, mas o que vestimos é uma forma de expressão. Muitos vestem a farda todos os dias. A farda é outra forma de comunicarmos com o outros. Muitos ficam com marcas das máscaras que usam ao longo de horas e horas de trabalho seguidas para se protegerem a si e aos outros.

As máscaras e as luvas de látex são na verdade os acessórios desta estação. Vivemos um momento inédito. Não há muitas vezes stock destes acessórios essenciais. SOLD OUT!

Antes de entrarmos em quarentena, já começava a existir uma consciência maior na forma como consumimos moda. Pelo menos muito se falava em moda sustentável. Parecia até já um termo cliché e do qual já começávamos a ficar saturados, sem o termos sequer incorporado na nossa vida. Fartamo-nos depressa de tudo, não é? E agora, ironia das ironias, nunca esteve tudo tão parado e estamos a reaprender a viver devagar. E de que nos adianta estarmos fartos?

Mergulhados numa pandemia global, por período indeterminado, a nossa geração nunca viveu nada do género. Uns vivem o momento com ansiedade e com medo. Outros com esperança e como uma oportunidade de crescimento e de nos melhorarmos a nós próprios e, consequentemente, o mundo. Independentemente do que sentimos, se há algo que todos começamos a aprender é que podemos, que sabemos e que devemos viver com menos. Que o ato de consumo deve ser muito refletido.

Há quem fique em casa e continue a vestir-se como se fosse sair. Outros que preferem algo mais confortável. Uns vivem de pijama. Sem drama. A verdade é que, independentemente do grupo a qual pertencemos(oh sentimento de pertença! Nunca fez tanta falta pertencermos uns aos outros, não é?Mesmo longe uns dos outros continuamos a pertencer!), provavelmente ao longo destes dias já olhamos para o nosso armário e pensamos: para que é que eu agora preciso disto? Precisava mesmo de ter gasto este dinheiro todo? Quem sou eu com estas roupas? Quem quero comunicar?

Acredito que todas essas questões e a situação que estamos a viver irão provocar uma alteração na forma como consumimos moda.

Neste momento, só me apetece estar dentro de roupas com tecidos confortáveis, que tanto me permitam brincar no chão, com as minhas filhas, como praticar yoga, meditar e sentar-me para escrever no chão como gosto. Isto tudo vai passar e vamos voltar a sair todos à rua. Talvez as máscaras e as luvas sejam acessórios que nos vão acompanhar ao longo de algumas estações e que continuarão a ser best- sellers. Que assim seja. E que nunca faltem.

A verdade é, que com ou sem máscara, com ou sem luvas, a roupa continua a assumir um papel na nossa vida. Não é obviamente um bem de 1ªnecessidade neste momento. Não é. Nunca foi. Nunca será. Mas pode fazer-nos sentir melhor. E é algo inerente e indispensável à nossa vida.

Talvez nunca tenha sido tão importante falarmos e refletirmos acerca do impacto da roupa na nossa vida, repensando o seu consumo. Muito mais que falar sobre tendências. Aliás, sinto que a tendência do momento é precisamente não seguir tendências. Já há muitos designers a boicotarem as semanas da moda justamente pela pressão que é estar constantemente a produzir coleções, além do impacto ambiental e social inerentes.

Usarmos o que temos. Sermos criativos. Reciclarmos.Ter MENOS vai ser MAIS na nossa vida. Ter menos com mais tecidos conscientes, mais produção e consumo local, mais reaproveitamento de materiais, mais rostos por detrás de cada peça, mais condições de trabalho e respeito por todas as pessoas envolvidas na cadeia de produção de cada peça.

Sinto que há um espaço de reinvenção pessoal e global através da roupa que vestimos.

E com esta primeira crónica resolvi um bloqueio e voltei a escrever sobre um assunto pelo qual me continuo a apaixonar e no qual quero continuar a criar. Espero voltar em breve a este espaço, com mais reflexões para partilhar sobre a importância da moda na nossa vida e de que forma podemos fazer escolhas conscientes.

Marta Caetano Dias

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Obrigado por este momento, Marta!

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Maio 6th, 2020Springkode