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A roupa sempre nos deu poder. Desde o princípio dos tempos e até hoje, ter a possibilidade de vestir a roupa indicada é sinónimo de riqueza, estabilidade e sucesso. Não é por acaso que os homens e as mulheres de negócios ainda vestem fatos, a verdade é que a roupa nos ajuda a dizer quem somos e o que pretendemos vir a ser. Mas o que acontece quando a nossa roupa não corresponde às expectativas que os outros têm sobre nós? Adeus poder e olá vergonha?

“As roupas não são só roupas (nunca o foram) – são terapia, são colinho, são armadura”, escreveu a jornalista de Moda Patrícia Domingues num artigo da Vogue Portugal (Novembro 2018) em que analisava o papel da roupa enquanto agente-protetora contra o mundo.

Voltando às raízes, ninguém sabe ao certo quando é que começámos a usar roupas (os antropologistas estimam que poderá ter sido à 100,000 ou 500,000 anos atrás), mas sabemos bem o seu principal propósito: proteger-nos contra o que quer que estivesse lá fora. O tempo voou e criámos chapéus para nos proteger da chuva, botas que vinham com a promessa de não haver pés ensopados até ao final do dia, e casacos que nos manteriam quentes e seguros. Mas, à medida que os métodos de produção têxtil evoluíram e o nosso sentido de estilo e o seu papel na sociedade ficaram mais apurados, apurámos também a arte de nos escondermos nas nossas roupas.

Proteção básica deu lugar ao esconder. Para além do seu lado funcional, as nossas escolhas de estilo passaram a manifestar-se essencialmente como uma extensão de nós próprios e um reflexo das nossas personalidades –, mas também das expectativas dos outros. O que significa que: aquele chapéu já não serve apenas para nos proteger da chuva, que aquelas botas não servem apenas para manter os nossos pés secos e que aquele casaco não serve apenas para nos manter quentes. Todas essas peças têm o poder de passar uma mensagem, e todas têm também de corresponder à noção de chapéu/botas/casaco que está “na moda” neste momento e contexto específico.

Como diz Judith Achumba-Wöllenstein neste artigo da Hajinsky, “as roupas estão aqui para ficar, não apenas pela sua função prática, mas também porque servem o propósito de cumprir uma das maiores necessidades humanas: a necessidade de ser aceite e de pertencer”. Já alguma vez pensou porque sentimos tanta necessidade de comprar roupas novas para um evento especial, num primeiro dia de escola ou até para uma reunião importante no escritório? A Moda serve para nos dar segurança, não só contra o calor, o frio ou a chuva, mas também contra as nossas emoções quando tentamos seguir as regras da sociedade, ou tentamos apresentar-nos ao mundo. Achumba-Wöllenstein continua: “se as roupas nos protegem da vergonha e desconforto de estar exposto fisicamente a influências ambientais, talvez a Moda nos proteja emocionalmente quando nos relacionamos com os outros”. Bingo.

É verdade que a Moda é um símbolo de estatuto e que ela sempre nos ajudou a dividir-nos entre ricos e pobres, fortes e fracos, cool e totós. Mas sabe que mais? Na Springkode achamos que a Moda é também (e acima de tudo) atitude. E, se a usar dessa forma, não temos dúvidas de que o mundo é seu.

Créditos de imagem: Angelina Bergewall for ELLE Sweden with Agnes Akerlund

Novembro 5th, 2019Springkode