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Tendo em conta que são precisos 2,700 litros de água para produzir uma básica t-shirt branca, tornarmo-nos consumidores conscientes é agora mais importante do que nunca. Aqui, falamos sobre o quanto é necessário desacelerar e construir um guarda-roupa mais sustentável, não só para si, mas também para o planeta. Afinal de contas, não temos um Planeta B.

Durante muito, muito tempo, a fast fashion soou como um sonho tornado realidade. Uma disfarçada combinação de materiais low-cost, métodos de produção estonteantes e condições de trabalho precárias, o modelo de negócio foi feito para que ignorássemos o que é difícil de engolir e nos mantivéssemos simplesmente satisfeitos com o que se tinha tornado tão facilmente atingível: os nossos maiores desejos de Moda, por toda a parte, a um preço superacessível.

Fast-forward para 2019 e finalmente percebemos que, afinal, esse preço não é assim tão acessível. A fast fashion seduziu-nos até um acumular ingénuo, mas cada peça que agora possuímos tem os dias contados e vive menos de metade do tempo que devia, porque *notícia de última hora* as peças produzidas pelas cadeias de fast fashion não foram feitas para durar ou para serem usadas estação após estação.

Mais importante, essas mesmas peças têm um impacto negativo tremendo no meio-ambiente. A poluição da água, o aumento dos níveis de desperdício têxtil e o uso de químicos tóxicos explicam apenas parte dele, e ajudaram a tornar o tingimento têxtil o segundo maior poluidor de água potável do mundo, logo após a agricultura. Uau. E nem sequer importa que essas peças venham com carimbo orgânico.

Como explicou Reinaldo Moreira, co-fundador da Springkode, à edição de Setembro da Vogue Portugal, “as quantidades de água são exorbitantes em ambos os casos (...). O que é preciso é abrandar o consumo e seria interessante ver as grandes marcas produzir menos com mais qualidade e com coleções mais intemporais”.

Há glaciares a derreter, os níveis do mar estão a subir, há florestas, animais e ecossistemas inteiros a morrer, e a fast fashion não está definitivamente a ajudar. O Clima está a mudar, por que não estamos nós também a fazê-lo?

Felizmente, ainda temos uma escolha e cada vez temos mais alternativas para lá da fast fashion. E para lá também do investir em vintage ou do reciclar aquilo que já temos. Afinal de contas, como disse Reinaldo à Vogue Portugal, “este sistema está errado na base. E doar a roupa que já não queremos é estar a protelar o problema temporariamente, porque aquela peça vai continuar a existir”.

Não nos interprete mal. Aplaudimos a sua decisão de doar essas “velhas” peças de roupa que já não quer em pontos de recolha, mas “as roupas hoje em dia são de muito baixa qualidade e a qualidade do produto do qual nos desfazemos condiciona gravemente a possibilidade de reutilizar a peça”, explica Reinaldo, que defende que “a reciclagem de roupa atualmente é um mito”. Pergunte a si mesmo: se a qualidade fica comprometida, estaremos mesmo a dar uma nova vida à roupa?

Prometemos a pés juntos que não o vamos forçar a nunca mais comprar uma peça de roupa. Aqui, na Springkode, o que fazemos é ensinar a comprar menos e melhor, conectando-o diretamente a uma rede de fábricas portuguesas de alta-qualidade que desenham e produzem de forma sustentável as suas próprias coleções cápsula de edição limitada com recurso a matérias-primas herdadas de diversas marcas de luxo, mantendo, claro, custos comedidos.

Está a ouvir o mesmo que nós? É o som da qualidade. Desacelerar nunca soou tão bem.

Novembro 5th, 2019Springkode